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Rui Ferreira Autor

"A imaginação é o solo fértil onde as sementes do impossível brotam." RF

Rui Ferreira Autor

"A imaginação é o solo fértil onde as sementes do impossível brotam." RF

A esperança do idoso

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"A esperança manifesta-se nas pequenas coisas: no sorriso do cuidador que lhes oferece uma chávena de chá, na visita inesperada de um neto que traz consigo o aroma da juventude, no som suave da música que percorre os corredores. Os idosos, com os seus olhos cansados, vêem além das paredes frias e encontram beleza nas subtilezas do quotidiano.

A esperança é como uma vela acesa na escuridão. Os idosos olham para o horizonte, onde o sol se põe e se levanta, e encontram nessa dança a promessa de que ainda há algo a ser vivido, algo a ser compartilhado."
Rui Ferreira
 

 

Ah, os bons velhos tempos

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Ah, os bons velhos tempos do regime de Oliveira Salazar, onde a liberdade de expressão era tão abundante como água no deserto e a igualdade social tão palpável quanto um fantasma. Era uma época dourada, onde só os mais ilustres tinham o privilégio de soletrar "democracia'" e mesmo assim, em rumorejos, para não acordar a PIDE.

Educação? Uma maravilha! As escolas eram tão exclusivas que poucos podiam  gabar-se de frequentá-las. Afinal, para quê aprender a ler se as notícias mais interessantes eram permanentemente censuradas? E a carreira profissional, tão diversificada que se resumia a duas opções: seguir os passos do pai ou... seguir os passos do pai.

Mas, oh, como éramos felizes! Divididos entre ricos e pobres, sim, mas unidos pelo sonho comum de um dia talvez vislumbrar o topo da pirâmide social através de um telescópio. E a censura? Essa não era um problema, era uma solução! Poupava-nos do trabalho de pensar, e quem precisa de opiniões quando se tem ordens?

Sim, os saudosistas suspiram por esses dias de glória, quando a liberdade era apenas um rumor e a ignorância uma bênção. Que saudades, dizem eles, daqueles tempos simples, onde tudo o que precisávamos saber era o nosso lugar na sociedade. E que lugar! Tão fixo e seguro como as grades de uma prisão.

A (des)União Europeia

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No grandioso continente onde a União Europeia reina, ou deveríamos dizer, a “Desunião Europeia”, e se esforça para manter as aparências, há um espetáculo diário que desafia a lógica e o bom senso. É o teatro da diplomacia, onde os atores principais são os políticos, mestres na arte de falar muito e dizer pouco.

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Eis que surge a questão: como encontrar consenso sobre as coisas mais básicas? A resposta é simples: reuniões! Reuniões intermináveis, onde o café é forte e a decisão é fraca. A cada encontro, um novo capítulo da saga "As Palavras Ocas dos Políticos". Estes, dançam uma valsa de palavras, girando em torno dos problemas, mantendo a distância suficiente para nunca os tocar.

A “União” orgulha-se da sua diversidade, mas quando se trata de unidade, bem, isso é outra história. Cada membro tem a sua própria agenda, e a harmonia é tão rara como um unicórnio. "Vamos avançar juntos", proclamam eles, mas o "juntos" é tão coeso como areia a escorrer por entre os dedos.

E assim, a “Desunião Europeia” continua, um paradoxo ambulante, onde a única certeza é a incerteza, e as promessas são tão vazias como o espaço entre as estrelas da bandeira que todos ostentam. Mas não te preocupes, pois, a próxima reunião está sempre ao virar da esquina, prometendo mais do mesmo.

Reunião de amigos - Termas de S. Vicente

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Naquele fim de tarde ensolarado, a esplanada do Café Quintãs, ecoava com risadas que desafiavam o tempo. Eram eles, os incansáveis companheiros de aventuras de outrora, reunidos numa celebração da amizade que nem os anos ousaram desvanecer. “Cabelos grisalhos” brilhavam ao sol como fios de prata, e as “carecas” reluziam com orgulho, cada uma contando uma história de vida. As “rugas”, que ameaçam aparecer, essas pequenas marcas do tempo, não são nada mais do que os sulcos de um mapa que nos guia para tesouros de memórias partilhadas.

Eles falavam alto, talvez porque a audição já não seja a mesma, ou talvez porque o coração queria fazer-se ouvir. Contavam piadas sobre a juventude, agora uma terra distante, mas cujas raízes seguem firmes e profundas, alimentando a árvore da amizade que só se torna mais frondosa com o passar dos anos.

Entre abraços e palmadinhas nas costas, falava-se dos que já partiram. "Estão aqui," dizia um, apontando para o peito, "aqui onde sempre estiveram." E assim, mesmo aqueles que haviam cruzado o véu da existência, sorriam em espírito, brindando à eternidade de um laço que nem a morte consegue romper.

As histórias fluíram como vinho, e o vinho, bem, esse fluiu ainda mais livremente. Falou-se de amores antigos, de aventuras de jovens que agora têm os seus próprios filhos, e de sonhos que ainda tinham a audácia de sonhar. E enquanto a lua atingiu o ponto mais alto, tingindo o céu de escuro, eles sabiam que, embora o dia terminasse, a amizade que compartilhavam era um sol que nunca se punha.

"Até ao próximo encontro!" gritamos ao despedir-nos, sabendo que, não importa quanto tempo passe ou a distância que nos separa, sempre encontraremos o caminho de volta uns para os outros. Porque amigos verdadeiros são estrelas que, mesmo na mais escura das noites, nunca deixam de brilhar.

O Jogo das Nações: Xadrez Global com Tanques e Diplomacia

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Num mundo onde os países se comportam como adolescentes numa festa de pijama, as grandes potências são os pimpões que monopolizam o tabuleiro de xadrez global. E as nações de menor dimensão? Bem, essas são as peças sacrificáveis, ou melhor dizendo, os peões de que ninguém se importa.

Os Estados Unidos da América (o rei do bloco), com a sua vasta coleção de tanques, aviões e filmes de ação, sentam-se confortavelmente no trono. O seu lema? “Democracia para todos (desde que concordem connosco)”. Jogam xadrez com uma mão e com a outra, assinam acordos comerciais e lançam bombas. Quando um peão se atreve a desafiar o rei, respondem com sanções, tweets e um desfile militar.

A Rússia (a rainha das reviravoltas), é a rainha astuta que se move em todas as direções. O seu exército é uma mistura de ursos treinados, hackers e vodka. Quando a Rússia quer algo, ela não pede; simplesmente invade, anexa e diz: “Isto agora é meu”. E se alguém reclamar, lançam uma operação de desinformação e culpam os extraterrestres.

A China é o bispo (do comércio), que avança silenciosamente pelo tabuleiro, construindo estradas, portos e dívidas soberanas por todo o mundo. O seu exército é uma combinação de soldados e produtos eletrónicos baratos. Quando a China quer algo, ela não invade; financia apenas um projeto de infraestruturas e espera que todos se curvem em gratidão.

O Reino Unido é o cavaleiro (da tradição), que ainda acredita que está na Idade Média. O seu exército é composto por guardas da rainha, cavalos e um senso de superioridade colonial. Quando o Reino Unido quer algo, eles enviam um diplomata com um chapéu alto e um sotaque elegante para negociar. Se isso não funcionar, jogam críquete até que todos desistam.

A França é o Chef (das baguetes diplomáticas), e quando os líderes mundiais se reúnem para discutir questões globais, a França, não traz apenas documentos e esferográficas. Não, eles trazem baguetes fresquinhas. O presidente francês levanta uma baguete e diz: “Senhores e senhoras, vamos resolver isto com um pouco de queijo brie, um croissant de paz e um Chardonnay.”

As nações de menor dimensão são os peões (desprezados), de que ninguém se importa. Tentam sobreviver enquanto as grandes potências jogam o seu jogo. Quando um peão se atreve a rebelar-se, são esmagados por tanques, embargos ou tweets sarcásticos. Mas às vezes, esses peões unem-se e formam uma aliança secreta chamada “ONU” para discutir resoluções inúteis e compartilhar receitas de bolos.

E assim, o jogo continua. As grandes potências movem as suas peças, os peões esquivam-se e o mundo assiste, com pipocas e um cheirinho de medo. Porque, afinal, o xadrez global é o único jogo em que todos perdem, exceto os fabricantes de armas e os advogados de direito internacional.

Além das estrelas

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Na noite escura, onde o silêncio chora,

Uma criança procura respostas nas estrelas.

Os olhos, ainda húmidos de saudade,

Procuram a mãe que partiu cedo demais.

As constelações agitam-se no céu,

Como memórias brilhantes e distantes.

A criança estende as mãos, tentando tocar

A luz que um dia lhe aqueceu o coração.

Mas as estrelas guardam segredos,

E a mãe permanece um mistério intocado.

A incompreensão é um fio invisível,

Que tece saudade e dor em cada verso.

Ela imagina a voz suave da mãe,

Segredando histórias de encanto e coragem.

Os abraços que a envolviam como as asas de um anjo,

Agora são apenas lembranças na penumbra.

A criança cresce, mas o vazio persiste,

Uma ausência que não se apaga com o tempo.

Ela aprende a sorrir, a enfrentar o mundo,

Mas no âmago do seu ser, há sempre uma estrela a mais.

A mãe está lá, além das estrelas,

Observando cada passo, cada lágrima.

O seu amor transcende o espaço e o tempo,

Guiando a criança na sua viagem solitária.

E quando a noite se torna insuportável,

A criança olha para o céu e sorri.

Porque, mesmo na escuridão, há uma luz

Que nunca se apaga: o amor eterno de uma mãe.

Que as estrelas sejam testemunhas,

Do laço que nunca se rompe, da saudade que nunca se esquece.

E que a criança, com olhos voltados para o infinito,

Encontre conforto nas asas invisíveis que a envolvem.

 

Dedicado a todas as mães que se tornaram estrelas, e a todas as crianças que procuram respostas no céu.