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Rui Ferreira Autor

"A imaginação é o solo fértil onde as sementes do impossível brotam." RF

Rui Ferreira Autor

"A imaginação é o solo fértil onde as sementes do impossível brotam." RF

Triste Maria

A triste Maria,

Foi um certo dia

De cabeça erguida

Por esse mundo fora.

Partindo sem demora

E logo de seguida

Altiva e decidida

Abriu a caixa de Pandora.

Soltaram-se magias

Que duraram muitos dias

De incontáveis aventuras.

Fizeram-se juras

Calaram-se as verdades

Contaram-se mentiras

frágeis debilidades

espuma desses dias.

Apontaram-se culpados

Condenados, não julgados

Sentaram-se os réus.

Soltaram-se mil diabos

Tantos dias passados

Por estes reles incréus.

E no final de tudo

Sem culpa no cartório

Fico quedo e mudo

Sou bode expiatório.

Reduzo-me à insignificância

Espanto-me com a extravagância

De todo este relambório.

Que triste fadário

Todo este itinerário

Da nossa Maria

Só porque um dia

Quis ser quem não podia.

 

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Ser criança, lá no Leste

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Caiem lá no Leste

Lágrimas de rostos sem infância

Sem mais nada que lhes reste

Que não seja tristeza e intolerância

 

Brincam sem alegria, às escondidas

Nas profundas crateras das bombas

Tentam recuperar as horas perdidas

Recolhendo-se nas horas longas

 

Caiem lá no Leste

Lágrimas de um pequeno rosto

Sem mais nada que lhe reste

Que o tirano seja deposto

 

Nos lares esventrados, estabelecem fronteiras

De desejos e sonhos, constroem ilusões

Na sua inocência já não fazem brincadeiras

Dos adultos apenas recebem desilusões

 

Caiem lá no Leste

Lágrimas de crianças despojadas

Sem mais nada que lhes reste

Do que afinidades dizimadas

 

Com a morte como parceira

Que na sombra as procura em covardia

Fazem da solidariedade, a barreira

Que as protege de tão grande perfídia

 

Caiem lá no Leste

Lágrimas de um rosto de esperança

Com pouco ou nada que lhe reste

Que não seja deixar de ser criança

 

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Bárbara

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Procuro esse lugar,

que deixaste quando partiste

Sozinho não quero ficar

Lavo-me em lágrimas, estou triste.

Tão longe, mas sempre no meu coração

A saudade aperta forte

Procuro, no escuro, a tua mão

Agarra-me, não me percas o norte.

Não me deixes cair nesta ilusão

Não consigo mais viver

Sozinho, nesta imensa solidão

Talvez não saibas, és a alma do meu ser.

A mais linda e perfeita criação

Que algum dia ousei realizar

És tudo para mim, és a razão

O propósito que alimenta o meu pulsar.

O orgulho que me fazes sentir

Transcende o sentimento vivido

Que não para de crescer, tenho de admitir

Ver-te singrar, orgulhoso, rendido.

Cresceste tanto nestes anos

Assumiste o risco com bravura

Imperturbável seguiste os teus planos

Sem receios, ávida de aventura.

Bárbara, pedaço de mim

Tudo isto que sinto, minha filha

Não se acaba, é eterno, não tem fim

És o meu mundo, o meu refúgio, a minha ilha.

 

 

Estranho costume

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Que estranho costume

ter este azedume

por alguém que não conheci.

Estar onde nunca estive,

Viver o que nunca vivi.

Solitário, observo

Na multidão, não enxergo

Na vida, não vivo

Sou seguido, mas não sigo.

Na infelicidade sou feliz

Sou árvore sem raiz

Água que não sacia

Ilusão que não existia.

Faço ouvidos moucos

Tenho trejeitos loucos

Razões irracionais

Defeitos por demais.

Durmo acordado

Sou um vivo finado.

Inteligentes são os outros

Burros não são poucos

Que alegres e contentes

passam a vida a mostrar os dentes.

Estendem a mão, por caridade

anseiam por promiscuidade

Procuram reconhecimento

lambendo cus sem lamento.

De espinha dobrada

por uma vida deslumbrada

Desperdiçam corações

Por uns míseros tostões.

O Reino

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Lancei naus para o outro lado,

do mundo que acreditava quadrado,

cavalguei as ondas do oceano,

provei que o mundo não é plano,

e com este sentimento profundo,

tornei-me dono do mundo.

O povo inculto colonizei,

Mais sabedor dos que exultei.

Espalhei a palavra com fervor,

aos descrentes infligi dor,

esventrei o solo sagrado,

por um punhado de ouro roubado.

O sangue jorrou incontido

puro, vermelho, nativo,

e ao mar de novo me lancei,

de regresso à casa que deixei.

Nas águas enfrentei a fúria divina,

resoluto, venci a minha sina,

com as naus, no Tejo fundeadas,

repletas de riquezas pilhadas.

A El Rei apresentei-me curvado,

com o sangue nas mãos, lavado,

Carregando o ouro negro, que sem vergonha,

trafiquei alegremente, ó coisa medonha.

Exibidos perante o povo analfabeto e bruto

Que julgava ter o poder absoluto,

Incapaz de alcançar a razão

Obediente como um cão.

O reino delirou com as glórias alcançadas

sem se importar com as vidas ceifadas,

El Rei exultou os feitos desta gente insana

Que se julgava impoluta e puritana.

Tantas riquezas esvaídas

tanto sangue, tantas vidas

Tanto desperdício, tanta pobreza

Tanto bruto disfarçado de nobreza!

 

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Fomos destruídos pelo terramoto naquele dia

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Parecia um estrondo das profundezas da Terra

O trovão rugiu, o chão tremia

Parecia uma maldição aquele dia

O céu escureceu e o sol apagou-se

Os prédios caíam, o céu empoeirou-se

O povo gritou, não deu tempo para reagir

Um desastre violento, apanhou-nos de surpresa

Sem tempo para dali fugir.

 

Fomos destruídos pelo terramoto naquele dia

As nossas casas e os nossos sonhos varridos

Lágrimas jorravam enquanto assistíamos, impotentes

Pensávamos que nunca veríamos a luz do dia

 

O ar cheio de tristeza, uma tristeza que não podemos esquecer

O céu estava cheio de fumo e lágrimas que tivemos de derramar

Vidas foram mudadas para sempre, os nossos corações partidos

O que mais podemos fazer!

Choramos de tristeza. Era impossível não chorar

Nunca esqueceremos o dia em que os nossos países foram destruídos.

 

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