“Cordiais Inimigos”

Na sala iluminada por sorrisos falsos e cumprimentos formais, dois inimigos declarados trocavam cortesias como velhos amigos. Lá estavam, como sempre, mantendo o delicado equilíbrio da convivência.
"Que prazer vê-lo aqui novamente!", dizia um, enquanto os olhos calculavam o próximo golpe.
"O prazer é todo meu!", respondia o outro, planeando mentalmente o momento perfeito para puxar o tapete.
No canto da sala, o vinho fluía tanto quanto a hipocrisia. Sentados lado a lado, trocavam elogios polidos e apertos de mão firmes — tão firmes que pareciam medir forças. Por baixo da mesa, porém, havia pés que se pontapeavam discretamente.
— Meu caro, você continua a surpreender toda a gente com o seu talento!
— E você com a sua... resiliência.
Ambos sabiam que a amizade era uma fachada, mas qual seria a alternativa? Declarar guerra abertamente? Que tolice. É bem melhor assim: um sorriso nos lábios, uma faca na manga.
Nada fortalece mais uma relação do que o desejo mútuo de destruí-la sem nunca o confessar.