Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O silêncio também tem voz

Nas páginas deste blog, desvendo o meu universo literário. Entre linhas e versos convido-o a mergulhar nas emoções e reflexões que habitam nas minhas palavras. Este é o espaço onde as ideias ganham vida.

O silêncio também tem voz

Nas páginas deste blog, desvendo o meu universo literário. Entre linhas e versos convido-o a mergulhar nas emoções e reflexões que habitam nas minhas palavras. Este é o espaço onde as ideias ganham vida.

“Cordiais Inimigos”

09.01.25 | RF

1aaace76-3c94-4c8a-904c-4c59145b4be2.webp

Na sala iluminada por sorrisos falsos e cumprimentos formais, dois inimigos declarados trocavam cortesias como velhos amigos. Lá estavam, como sempre, mantendo o delicado equilíbrio da convivência.

"Que prazer vê-lo aqui novamente!", dizia um, enquanto os olhos calculavam o próximo golpe.

"O prazer é todo meu!", respondia o outro, planeando mentalmente o momento perfeito para puxar o tapete.

No canto da sala, o vinho fluía tanto quanto a hipocrisia. Sentados lado a lado, trocavam elogios polidos e apertos de mão firmes — tão firmes que pareciam medir forças. Por baixo da mesa, porém, havia pés que se pontapeavam discretamente.
— Meu caro, você continua a surpreender toda a gente com o seu talento!
— E você com a sua... resiliência.

Ambos sabiam que a amizade era uma fachada, mas qual seria a alternativa? Declarar guerra abertamente? Que tolice. É bem melhor assim: um sorriso nos lábios, uma faca na manga.

Nada fortalece mais uma relação do que o desejo mútuo de destruí-la sem nunca o confessar.