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Rui Ferreira Autor

"A imaginação é o solo fértil onde as sementes do impossível brotam." RF

Rui Ferreira Autor

"A imaginação é o solo fértil onde as sementes do impossível brotam." RF

Ser criança, lá no Leste

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Caiem lá no Leste

Lágrimas de rostos sem infância

Sem mais nada que lhes reste

Que não seja tristeza e intolerância

 

Brincam sem alegria, às escondidas

Nas profundas crateras das bombas

Tentam recuperar as horas perdidas

Recolhendo-se nas horas longas

 

Caiem lá no Leste

Lágrimas de um pequeno rosto

Sem mais nada que lhe reste

Que o tirano seja deposto

 

Nos lares esventrados, estabelecem fronteiras

De desejos e sonhos, constroem ilusões

Na sua inocência já não fazem brincadeiras

Dos adultos apenas recebem desilusões

 

Caiem lá no Leste

Lágrimas de crianças despojadas

Sem mais nada que lhes reste

Do que afinidades dizimadas

 

Com a morte como parceira

Que na sombra as procura em covardia

Fazem da solidariedade, a barreira

Que as protege de tão grande perfídia

 

Caiem lá no Leste

Lágrimas de um rosto de esperança

Com pouco ou nada que lhe reste

Que não seja deixar de ser criança

 

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Aos amigos que partem



Gentil amigo meu que partes sem despedidas

Fugindo de uma abreviada amizade cerceada sem razão

Das memórias intensas e das recordações transcendidas

Daquele curto espaço de tempo em que o corpo era são

 

O desassossego em que me deixaste nestes dias

Em prantos de lágrimas exageradas de esperança perdida

Acontece sob o feitiço de magos aprendizes de almas sadias

A que sobrevivo sem fulgor nesta desesperança brandida

 

Sadia era a amizade, fortalecida por laços inquebrantáveis

Assim julgados pela carne, fraca, que amiúde nos trai

E nos desperta para a cadência dos ponteiros instáveis

Do relógio da vida, criador de ilusões, que nos distrai

 

Gentil amigo meu que partes e deixas este vazio imenso

Impossível de preencher com palavras incontidas

De angústia e de dor que não apagam o tempo

Transformadas em pensamentos ocultos e lágrimas vertidas

 

Ainda que não faltem, mas também não sobrem

Momentos efémeros de uma amizade contida

Relembro já com saudade a rectidão do homem

Que em ti habitava e se afirmava na plenitude da vida

 

Tivesse eu o condão da atribuição do tempo e da vida

E jamais, jamais, um segundo em vão seria perdido

Em quezílias fúteis e comezinhas, sem qualquer razãoenvolvida

E no entanto, assim, só, me deixas, incrédulo e aturdido


Rui Ferreira

Penafiel