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Rui Ferreira Autor

"A imaginação é o solo fértil onde as sementes do impossível brotam." RF

Rui Ferreira Autor

"A imaginação é o solo fértil onde as sementes do impossível brotam." RF

Na penumbra da saudade

Na penumbra da saudade, o amor de mãe desvanece-se lentamente, como pétalas que caem de uma rosa esquecida. À medida que o tempo avança, essa presença materna, uma vez tão tangível e reconfortante, desvanece vagarosamente, como estrelas que se apagam no céu noturno.

Cada dia sem a sua presença é como uma ferida aberta, uma cicatriz na alma que nunca parece curar completamente. O eco da sua voz, os traços do seu sorriso, tudo parece dissipar-se lentamente, como se a própria essência do amor desaparecesse com a sua ausência.

A sua falta é sentida em cada momento, em cada gesto, como uma sombra que paira sobre os dias ensolarados.

E no silêncio da noite, quando as lágrimas escorrem silenciosamente pelo rosto, é impossível não sentir a falta do seu amor irrevogável. As lembranças de momentos compartilhados tornam-se tesouros preciosos, guardados com carinho no baú do coração, mas sempre acompanhadas pela dor da ausência. A saudade torna-se uma companheira constante, uma sombra que nos segue onde quer que vamos, recordando-nos da raridade do amor que perdemos.

No entanto, mesmo com a sua partida, o amor de mãe permanece como uma luz imperecível, uma chama que jamais se extinguirá completamente, pois o vínculo entre mãe e filho transcende o tempo e o espaço, e mesmo na ausência física, o seu amor continua a ressoar na alma, guiando e protegendo como um farol na escuridão.

E assim, mesmo na dor da saudade, há conforto na certeza de que o amor de mãe é eterno, e a sua presença, embora ausente, permanece sempre viva nos corações daqueles que ela amou e que a amaram para sempre.

Cada batida do coração é um lembrete do seu legado de amor, uma promessa de que nunca estaremos verdadeiramente sozinhos.

Sinto-te falta

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As ausências a que me obrigas

Marcadas por esse teu triste olhar

São sombras envergonhadas de intrigas

A que me sujeito sem me preocupar

 

Refugio-me nesse teu olhar penetrante

Escondo-me em mim da tua presença

Perco-me neste caminho errante

Que percorro em constante descrença

 

A felicidade é uma quimera

É efémero sentimento cantado

Por poetas desta e de outra era

Em canção e em verso rimado

 

O amor, esse sentimento tão nobre

Brota de qualquer coração enamorado

Seja rico ou seja pobre

É assim a vida de um apaixonado

 

Nas ausências insisto em ficar

Ao teu lado ainda que te perca

Perdido na imensidão do teu olhar

Refugiado no coração que se aperta

 

Encontro-te finalmente entre a imensidão

Dos meus sonhos e pesadelos urdidos

Tornas-te o meu rochedo, o meu bastião

Senhora de destinos incompreendidos

 

Rendo-me nesta destemida covardia

De declarar este amor que me assalta

Que cresce nesta alma deserta, bravia

E ainda que te tenha, sinto-te falta.

 

#ruiferreiraautor
#autoresportugueses
#autoresnacionais

Aos amigos que partem



Gentil amigo meu que partes sem despedidas

Fugindo de uma abreviada amizade cerceada sem razão

Das memórias intensas e das recordações transcendidas

Daquele curto espaço de tempo em que o corpo era são

 

O desassossego em que me deixaste nestes dias

Em prantos de lágrimas exageradas de esperança perdida

Acontece sob o feitiço de magos aprendizes de almas sadias

A que sobrevivo sem fulgor nesta desesperança brandida

 

Sadia era a amizade, fortalecida por laços inquebrantáveis

Assim julgados pela carne, fraca, que amiúde nos trai

E nos desperta para a cadência dos ponteiros instáveis

Do relógio da vida, criador de ilusões, que nos distrai

 

Gentil amigo meu que partes e deixas este vazio imenso

Impossível de preencher com palavras incontidas

De angústia e de dor que não apagam o tempo

Transformadas em pensamentos ocultos e lágrimas vertidas

 

Ainda que não faltem, mas também não sobrem

Momentos efémeros de uma amizade contida

Relembro já com saudade a rectidão do homem

Que em ti habitava e se afirmava na plenitude da vida

 

Tivesse eu o condão da atribuição do tempo e da vida

E jamais, jamais, um segundo em vão seria perdido

Em quezílias fúteis e comezinhas, sem qualquer razãoenvolvida

E no entanto, assim, só, me deixas, incrédulo e aturdido


Rui Ferreira

Penafiel

Saudade infinita

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Porque partiste?

Porque tiveste de ser tu a partir?

Porque tive que ser privado de ti? Da tua companhia, do teu carinho, do teu amor, do teu aconchego?

Perguntas para as quais não consigo encontrar respostas, pelo menos respostas que me confortem e que justifiquem a tua precoce partida. Que justificação poderá haver para uma ausência que no seu lugar apenas deixa dor, sofrimento e incompreensão?

Haverá porventura, amor maior do que o amor de uma mãe? Dizem-me que não. Sinceramente não sei, porque não o tive em tempo suficiente, porque me foi roubado em criança. Tal como me foram roubadas as memórias e as recordações. Restam apenas fragmentos nebulosos. E dor.

Como é que se explica a uma criança, de 9 anos, que não voltará mais a ver a sua mãe? Que terá que enfrentar o mundo, indefeso, sozinho, fragilizado. Que nunca mais terá o seu porto de abrigo, o seu rochedo.

Esta ausência que nunca, mas nunca, se preenche, antes se expande e contamina o nosso subconsciente, marca-nos para a vida. Retira-nos a parte mais importante do nosso crescimento, mexe bem lá no fundo, com os nossos sentimentos, abala todos os pilares que a sociedade nos ensina e procura consolidar. Alguns não foram abalados, foram literalmente obliterados, confesso.

Senti-me compelido a criar uma carapaça que me protegesse do mundo exterior. Se me tornou mais forte? Talvez sim, para quem vê apenas o exterior, porque lá dentro tudo permanece imutável, cristalizado desde o momento da partida. À espera de respostas, à espera de um dia conseguir reunir-me contigo e voltar a preencher o vazio da tua ausência.

Tenho a certeza de que onde quer que estejas, me estás a seguir, porque quando olho o céu, uma estrela brilha mais do que todas as outras.

Saudade infinita.