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Rui Ferreira Autor

"A imaginação é o solo fértil onde as sementes do impossível brotam." RF

Rui Ferreira Autor

"A imaginação é o solo fértil onde as sementes do impossível brotam." RF

A indiferença nas grandes cidades

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Nas grandes cidades, as ruas são veias por onde circula a indiferença, e os passos apressados dos transeuntes refletem a pressa de chegar a lugar nenhum. Há um silêncio ensurdecedor na multidão, uma solidão compartilhada em contraponto à cacofonia urbana.
As pessoas passam umas pelas outras como sombras, olhares baixos, temendo o encontro com a realidade do outro. O sofrimento alheio torna-se invisível, coberto pelo véu da apatia. Os que nada têm estendem mãos que clamam por ajuda, mas as suas vozes perdem-se no vórtice de uma sociedade que valoriza mais o ter do que o ser.
Tenta-se apagar a existência dos desfavorecidos com a indiferença, como se ignorar pudesse dissolver a dor. Mas a dor é uma tinta permanente na sociedade, e a indiferença apenas mancha mais profundamente. A frieza das grandes cidades não é mais do que o reflexo do gelo que se forma nos corações que se esqueceram de sentir.


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O abandono é um estado de espera, mas uma espera sem esperança

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O abandono é uma paisagem desolada na alma, onde a voz da solidão se ouve entre paredes vazias. É a sensação de ser deixado para trás, uma folha caída que o vento se esqueceu de levar. Há uma quietude nesse sentimento, um silêncio que pesa mais do que o barulho mais ensurdecedor, pois é o silêncio da ausência, da falta que algo ou alguém faz.
É um quarto escuro onde as sombras do passado parecem mais reais do que a luz que se esforça por entrar. É um estado de espera, mas uma espera sem esperança, onde os dias se misturam e as noites se alongam.
O abandono pode ser o fim de um capítulo, mas também pode ser o espaço em branco antes do início de outro. É nesse espaço que temos a possibilidade de reescrever a nossa história, de encontrar um novo propósito e, talvez, redescobrirmo-nos longe das sombras do que foi deixado para trás.

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Amor incompreendido



Carrego-te no negrume da escuridão

Lado oculto da vida em que te não via

Seguro o grito no silêncio, em vão

Rogo por esta luz pálida que nos guia

 

Que lassidão é esta que me corrói

A alma ímpia, descrente

Que me condena a vilão ou herói

Ou apenas a um ser aparentado a gente

 

Lanço um olhar duvidoso à paisagem nua

Que é esboço não desenhado

É rabisco sobre uma tela crua

És tu, meu amor, do outro lado

 

Chamas-me e não te ouço

Convocas-me e não compareço

Permaneço neste calabouço

Indeciso, e ainda assim não esmoreço

 

E neste impasse me quedo

Impedido de desfrutar esta vida

Solto vocábulos que pretendem ser um berro

Rasgo as vestes pela alma cindida

 

Resisto e não desisto, até à última consequência

Por um amor incessantemente incompreendido

Que perdura e resiste com eloquência

Epílogo da querença que se faz correspondido

 

Rui Ferreira

Penafiel